O velho riu com bondade.
— Você se arrepende de não ter virado fotógrafo? Ou de não ter casado com a outra?
— Por que não escolhe? — perguntou o velho.
Em casa, mordeu o pão. Estava bom. Não era extraordinário, mas era macio e fresco. Teodoro percebeu algo estranho: pela primeira vez em meses, ele não estava pensando no pão que não havia comprado. Livro O Paradoxo Da Escolha
— Moço, são 8h15.
O vizinho, confuso, foi embora. Teodoro ficou ali, sentindo o peso leve de quem finalmente entendeu:
Seis meses depois, Teodoro não era o homem mais rico ou mais realizado do vale. Mas, ao entardecer, sentado na varanda com um café qualquer (não o melhor, mas quente e seu), ele sorria. O velho riu com bondade
— Eu sei — dizia Teodoro, suando frio. — Mas e se eu me arrepender?
Teodoro pensou por um momento. Olhou para a namorada que ria dentro de casa, para o livro de design aberto na mesa, para o pão simples que aprendera a gostar.
— Talvez existisse uma vida melhor atrás de outra porta. Mas esta é a minha. E decidi que é boa o suficiente. — Por que não escolhe
Certa noite, ele sonhou com um jardim que tinha mil portas. Cada porta levava a um futuro diferente: médico bem-sucedido, músico pobre mas feliz, pai de três filhos no campo, viajante solitário… Teodoro andava de uma porta a outra, abrindo, fechando, sem nunca entrar. No fundo do jardim, um velho de olhos claros o observava.
Um vizinho perguntou: